O PRESENTE VALIOSO
Atualizado: 17 de ago.

O PRESENTE VALIOSO.
Havia um povoado desolado pela guerra em que a população sobrevivia com o pouco de restara, as casas em ruínas, poucos móveis, o trabalho escasso, as pessoas viviam modestamente, com poucos recursos que encontravam e como o dinheiro também era insuficiente, os habitantes estabeleciam trocas de bens e de trabalho e tentavam resistir em uma época difícil.
Dois jovens sobreviventes viviam juntos e tentavam ser felizes. Acreditavam que o futuro seria melhor. Quando um esmorecia o outro animava e quando constatavam a dificuldade daquela vida árdua lembravam que tinham um ao outro e esse alento garantia a esperança que dias melhores haveriam de surgir.
Como dispunham de poucos objetos de valor e viviam com muita pobreza, nem sonhavam com presentes, mas ambos acalentavam em segredo o desejo de oferecer ao parceiro alguma coisa que demonstrasse um pouco da ternura e amor que sentiam.
A moça tinha um cabelo lindo que valorizava o seu rosto delicado e abrandava um pouco as feições de sofrimento da labuta diária, aquele era o seu maior tesouro, que penteava com suas próprias mãos, pois nem pente ela dispunha, tal a miséria que viviam.
O rapaz igualmente nada tinha de valor, exceto um velho relógio, herança de seu pai, que guardava com zelo, mas que nem mais funcionava, era o seu objeto mais valioso, o único que dispunha.
Um dia tiveram a ideia de presentearem um ao outro com alguma coisa que pudesse demonstrar o grande carinho que sentiam. Coincidentemente, mas em segredo pensaram em como realizar esse desejo.
A moça lembrou que na cidade havia uma mulher que talvez se interessasse pelos seus cabelos e foi ao encontro dela, imaginando que pudesse receber em troca alguma mercadoria para oferecer a seu amado e como todos eram muito pobres a única coisa que mulher tinha para oferecer em troca dos cabelos da jovem era uma corrente de ouro. A moça ficou feliz com aquela oferta, pois lembrou-se do relógio do marido e que complementaria perfeitamente. Sem dúvida, imediatamente aceitou a troca, deixou que seus cabelos fossem cortados e trouxe para casa a maravilhosa surpresa.
Por sua vez o rapaz também procurava algo que pudesse agradar sua esposa adorada e não pensou duas vezes em se desfazer de seu único bem em troca de algo especial. Encontrou um comerciante que fazia trocas em sua loja e no meio de tantas quinquilharias encontrou uma escova com cabo de madrepérola, desgastada pelo tempo, mas que seria valiosa para sua amada pentear seus lindos cabelos e sem pestanejar trocou o relógio do seu pai pela escova.
Ambos estavam felizes com suas escolhas e não viam a hora de oferecer a surpresa para seu amor.
Naquela noite quando se encontraram após o trabalho, ansiosos de como seria a admiração do companheiro ao receber o presente. A moça não se conteve e assim que o rapaz entrou em casa entregou-lhe a corrente de ouro e ele, comovido, ofertou-lhe a escova. Sorriram, então se abraçaram e comemoraram a alegria de estarem juntos.
Médico Escolar – Dr. José Carlos Machado -





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